


University of Florida collection.

Best 10 chemistry lab videos at Wired.
Insultingly stupid physics videos.
Vem isto a propósito de um artigo no pasquim Expresso desta semana, na sua revista Única (Única em bujardas está visto!). Exclusivo Newsweek/Expresso traduzido por Aida qualquer coisa. É um artigo sobre descobertas científicas na área de supressão de memórias.
A leitura da versão portuguesa cheira a esturro. Ele são as experiências com "ratazanas", as amigdalas que são apresentadas como tendo um papel importante na memória e sintetizam proteínas (isto está mau porque as minhas foram estirpadas. Será por isso que às vezes não me lembro onde pus as chaves do carro e se vesti roupa limpa??). E cobaias que são injectadas com fármacos nas amigdalas e perdem memórias.
Pois a versão original da newsweek conta uma história menos rançosa e um pouco distinta. Giro giro é que a versão da Newsweek é de acesso aberto e a tradução tramposa do Expresso não.
É então que ficamos a saber que "Nader injected a drug that stops protein synthesis into the rat's amygdala. " foi traduzido como " Nader injectou nas amígdalas do rato uma droga que pára a sintese de proteinas". Olha lá ó rato, espero que não te tenha dado uma amigdalite a seguir, porque dá umas dores do catano!
Tendo em conta que não nos faltam amigdalas (orgãos amendoados) no corpo convém especificar se falamos de algo que está no cérebro, na língua ou na garganta.
É fácil de perceber porque é que nenhuma investigadora do sexo feminino é galardoada nas áreas da química e física- Quase se podem contar pelos dedos das mãos as mulheres que trabalham em áreas de ponta nestas 2 ciências, ao passo que os colegas do sexo oposto são muito mais numerosos.
Já não é tão fácil explicar é porque existem tão poucas mulheres a trabalhar nestas áreas. Sobretudo se tivermos em conta que na maioria dos países tecnologicamente avançados mais de 50% dos licenciados nestas áreas são mulheres e que na maioria dos casos cerca de 50% dos doutorados também são mulheres. Mas quando subimos na hierarquia académica ou de investigação a percentagem de mulheres reduz-se drasticamente ao ponto de termos menos de 10% de mulheres como líderes em grupos de investigação ou como full professors. É uma espécie de mistério da rarefacção feminina!
A outra novidade é que nenhum dos galardoados é Norte-americano (Robert Gallo* ficou a ver navios e é muito bem feito). Pois é...os EUA nem descobriram o HIV, nem o agente causador do cancro do colo do útero (o receptor do remanescente 1/2 do prémio é o alemão Harald zur Hausen, pelas suas descobertas envolvendo a causa do cancro do colo do útero- o virus do papiloma humano conhecido por HPV. O HPV é uma familia de virus transmissíveis por contacto cutâneo ou sexual que atacam as mucosas e a pele, causando verrugas. Alguns membros da familia do HPV podem causar cancro cervical).
- Anúncio do comité Nobel.
*Robert Gallo é um investigador norte americano que tentou fazer-se passar por descobridor do HIV um ano depois do duo francês agora Nobelizado o ter descoberto. O comité Nobel nem fala dele no comunicado de atribuição do prémio , porque será?
A imprensa portuguesa mima-nos com traduções bacocas para o HPV, como "papiloma virus" ou "o papiloma virus humano". Porque não: "Humano virus o papiloma" . Enfim!!!
Isto a propósito das manchetes dos jornais e reportagens que surgiram este fim-de-semana sobre a investigadora Elvira Maria Correia Fortunato do Cenimat/ i3N (o Cenimat é um centro de investigação da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e faz parte do i3N- Instituto de nanoestruturas, nanomodelação e nanofabricação, um laboratório associado do estado criado em 2008, que inclui investigadores das universidades de Aveiro, Minho e Nova). Elvira Fortunato é directora cientifica do i3N. A investigadora é também professora associada do departamento de ciências dos materiais da UNL.
Os jornais portugueses noticiaram que a investigadora tinha ganho um "prémio" do "European Research Council"- ERC e alguns chamaram-lhe mesmo "Nobel Europeu" (será que os Nobel não são atribuídos por uma entidade europeia?... Ou os jornalistas acham que a Suécia é na Ásia?). Comecemos pelo European research council, que em bom português se chama Conselho europeu de investigação, pois claro. Não há que utilizar nomes em lingua estrangeira para este organismo da UE criado com o propósito de promover e apoiar a investigação cientifica europeia de excelência. E a noção de europeia aqui estende-se para lá das fronteiras de UE, incluindo Israel, Suiça, Turquia, Croácia, Noruega e outros países não membros da UE mas conhecidos por associados.
Ora o ERC não dá prémios, apenas concede fundos sobre a forma de bolsas e é necessário submeter uma candidatura. No caso desta investigadora ela concorreu e ganhou uma "bolsa avançada ERC", no valor de 2,25 milhões de €. Os fundos dados tem de ser utilizados na investigação (não são nenhum prémio pecuniário pessoal como alguns jornais davam a entender).
A concorrência é muita e apenas investigadores muito bons têm hipótese de conseguir estas bolsas. O ERC impõe condições restritivas para se poder concorrer razão pela qual apenas recebeu 2167 candidaturas para estas bolsas. Portugal concorreu com 20 candidaturas a maioria das quais na área de ciências e engenharia. Os países mais populosos da UE, foram os que submeteram mais candidaturas (Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Holanda). Os resultados oficiais ainda não foram divulgados pelo que não se sabe se é estatisticamente relevante a atribuição de uma bolsa avançada a uma investigadora portuguesa.
A equipa que a investigadora lidera já tinha sido notícia a semana passada por ter conseguido produzir transistores num suporte de papel (o artigo cientifico sai em Setembro na IEEE Electron Device Letters: High Performance Flexible Hybrid Field Effect Transistors based on Cellulose Fiber-Paper, Fortunato et al., IEEE Electron Device, September 2008 Vol.: 55, 2008). A primeira vez que se consegue tal feito a nível mundial.
É também interessante verificar que o outro português contemplado este ano com uma bolsa do ERC não foi noticia na comunicação social. José Henrique Veiga Fernandes do instituto de Medicina Molecular foi contemplado com uma bolsa do tipo "starting grant" de 1,9 milhões de € destinada a jovens investigadores doutorados de elevado mérito. Os montantes atribuídos são semelhantes aos das bolsas avançadas ERC e a concorrência é ao mesmo nível.

Sou só eu que acho que é uma estupidez encher veículos que transportam pessoas com hidrogénio?
Parece que a memória é curta e há gente que já não se lembra que o Hindenburg explodiu sobre a Nova Jérsia há uns 70 anos matando metade dos que iam a bordo. Foi uma nuvem de fogo digna de se ver.
Mas agora surgiram uns brilhantes iluminados que acham que um Zeppelin é o que há de mais cool para passear turistas ou servir de hotel.... Várias empresas têm surgido um pouco por todo o lado com esta moda.
Um Zeppelin é um veículo bastante caprichoso. Não só têm tendência para explodir, como precisa de um espaço enorme para "estacionar", não suporta ventos e qualquer carripana numa estrada sem buracos atinge velocidades muito superiores aos de um dirigível . A capacidade para transportar passageiros é diminuta como se pode ver no boneco acima. Nada que se aproxime de um avião comercial. O que torna os Zeppelins economicamente inviáveis.
Propostas interessantes para o uso de dirigíveis são o transporte de carga e de correio e o seu uso para telecomunicações, mas utilizando hélio e não hidrogénio para encher o veículo. O hélio é um gás inerte não explosivo. A vantagem deste tipo de transporte é ser não poluente ( não emite dióxido de carbono).

Outra parvoíce são os veículos a hidrogénio, que usam as tão badaladas células de combustível. São totalmente não poluentes porque não produzem gases, só água, diz-se. Esquecem-se é que para produzir e transportar o hidrogénio com que se enche o depósito do carro polui-se e muito.
A Europa perdeu totalmente a corrida dos híbridos para os asiáticos e então decidiu investir nessa ideia iluminada das células de combustível. O método é sem dúvida interessante mas tem pouco rendimento, o que reduz muito a autonomia dos veículos a hidrogénio. Obriga a refrigerar a temperaturas inferiores a - 250º C o depósito do carro para poder armazenar o hidrogénio líquido e o mesmo ocorre para os escassos postos de abastecimento existentes. Têm de ser refrigerados a temperaturas baixissimas. Postos de abastecimento existem apenas na Califórnia, na Islândia (1) e nalgumas zonas da Alemanha (6). A outra hipótese de armazenamento - a pressurização- obriga a desafios técnicos ainda maiores e não está a ser usada em veículos.
E carros há venda parece só existem um topo de gama da BMW do qual se fizeram 100 exemplares (que por acaso não usa células de combustível). A Mercedes tem modelos classe A experimentais a hidrogénio (F-cell) que não estão à venda mas circulam na ásia em regime de leasing e o mesmo se passa com um modelo do Ford Focus. A Mazda vendeu 2 unidades do RX-8 hydrogen no Japão. O resto são protótipos.
Se se vierem a popularizar aguardo com espectativa o dia em que uma qualquer Maria com um cigarro ao canto da boca vai espreitar para o depósito e ganha acto continuo um Darwin award.
Nessa noite na central nuclear de Chernobyl localizada a cerca de 100 Km de Kiev, na actual Ucrânia, a reacção em cadeia no reactor 4 ficou fora de controle por terem sido negligenciados procedimentos de segurança obrigatórios por funcionários. Por volta da 1:30 da manhã houve uma explosão que matou instantaneamente 30 pessoas e libertou doses maciças de radiação para a atmosfera.Mais tarde cerca de 100 mil pessoas morreram devido à exposição à radiação (o equivalente a toda a população de Aveiro ou Braga). Milhares de pessoas sofrem actualmente de cancro da tiróide, leucemia e vários tipos de tumores malignos. A estimativa é de 50 a 100 mil pessoas com estes problemas. As estatísticas de malformações do feto, prematuros e nados-mortos dispararam nas zonas contaminadas.
Uma vasta área que incluí parte da Ucrânia, Bielo-Rússia e Rússia continua a ter valores de radiação elevados (Cs-137 > 1 Curie/Km2). A Bielo-Rússia têm 22% da sua área total contaminada (A central fica junto da fronteira Bielorussa e devido às condições atmosférica 70% do material radioactivo depositado ficou na Bielo-Rússia tendo afectado uma zona onde vivia 1/5 da população deste país). 22% da área da Bielo-Rússia é mais ou menos a área da Suiça inteira. 1.5 milhões de Bielorussos continua a viver nas zonas contaminadas. Na Ucrânia, dos 7 milhões de pessoas que viviam na zona contaminada na altura do acidente, apenas 500 mil foram evacuados. A população nessas zonas é actualmente de 5.5 milhões de pessoas.Prevê-se que as zonas com níveis de radiação entre 15 e 40 Ci/Km2 Cs-137 possam ser reocupadas dentro de 30 anos. Para as restantes não há prognósticos.
Actualmente uma área com um raio de 30 Km permanece selada e evacuada. Se não contarmos com as pessoas que voltaram a instalar-se lá às escondidas. Existe uma barreira à entrada onde se faz uma descontaminação e só se passa com uma autorização especial. Foi o que fez Elena Filatova com a sua mota e munida de um medidor Geiger- Revisitou as cidades fantasma e tirou fotografias que colocou na internet.Ruas vazias até perder de vista, ruínas e mais ruínas, a natureza a tomar conta de tudo e um silêncio sepulcral aterrador. Nas cidades tudo parece bem. Com sorte até se podem encontrar pratos ainda na mesa. Excepto que não existem pessoas.
No dia seguinte ao desastre 500 mil pessoas foram evacuadas.Assim de repente.... Tiradas da cama e metidas em camiões só com a roupa que tinham no corpo.
Foram colocadas a viver numa região diferente onde foram ostracizadas - eram vistas como doentes contagiosos pelos locais. Os mais jovens tiveram poucas hipóteses de ter relações estáveis- Ninguém queria arriscar a concepção com uma pessoa que esteve exposta a radiação. Resultado: um envelhecimento da população e o declínio da esperança média de vida que nalgumas regiões atinge valores tão baixos como 67.2 .

Outras fotos e documentação sobre chernobyl ( em italiano)
Gary Larson, um cartoonista "científico" de que sou grande fã.




A despesa pública em I&D nos Estados Unidos oscilou entre 18$ e 206$ per capita no ano 2000 ( dependendo do estado), i.e., algo entre 13 -160€ per capita. Os fundos vão principalmente para as universidades mais prestigiadas que empregam os melhores cientistas do país - Univ. da Ivy league, Stanford, Univ. da Califórnia. De um modo geral, as 100 instituições mais importantes levam 4/5 dos fundos. Os menos competitivos não conseguem atrair bons investigadores e ficam com as migalhas. Caso dos estados do Texas, Arizona e Florida. A Florida, um dos estados mais populosos dos EUA, com uma economia em franco crescimento, não consegue atrair fundos para I&D, apesar de ter uma das instalações cientifícas mais importantes do país - o Centro espacial Kennedy e um Sr. chamado Bush a gerir o estado. As principais razões apontadas são a fraca preparação cientifíca e matemática dos alunos que chegam à universidade, a falta de capital de risco e apoios para spin offs e o facto das universidades locais não colaborarem entre si preferindo a rivalidade. Um aumento substancial dos fundos dados pelo governo para I&D não é visto pela maior parte dos analistas como uma garantia de sucesso se se continuarem a verificar os problemas referidos.
Tirei algumas ilações deste artigo:
À cabeça que Portugal e a Florida são muito parecidos. Em Portugal aumentar o investimento público em I&D sem atacar os problemas de fundo da investigação não vai funcionar. É necessária melhor preparação dos alunos, apoios à criação de empresas e menos burocracia associada ( e não me venham com histórias sobre o programa prime. Porque este não é minimamente adequado para criação de empresas). O capital de risco escasseia e nas Univ. portuguesas há gente que ainda não percebeu que colaborar só traz vantagens.
Acrescento ainda que:
- nos EUA o investimento do sector privado em I&D excede o investimento estatal, algo que em Portugal não acontece.
- Nos EUA existem muitas instituições públicas que também fazem investigação, desde que esta seja de interesse para o estado - EPA, NASA, NOAA, FDA etc... Em Portugal nenhuma entidade governamental faz investigação (nem têm pessoal qualificado) excepto os escassos laboratórios do estado e estes não fazem investigação de interesse para o estado, apesar dos seus custos serem suportados pelo erário público.
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- Genomics Lexicon
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- Combinatorial Chemistry Glossary
- Internet Encyclopedia
- IUBMB Nomenclature
- IUPAC Compendium
O Micropolitan Museum - é um museu de microarte natural. As obras de arte são todas organismos vivos que só podem ser vistos ao microscópio.
Está em: http://www.microscopy-uk.org.uk/micropolitan/index.html
Diatomácea agarrada a uma alga vermelha.

Mas a Europa e os EUA não são os únicos a braços com iliteracia cientifica. O governo Japonês também realizou um questionário em 2001 e comparou os resultados com os dos Estados Unidos e os de alguns países europeus. O panorama japonês não é diferente do dos outros países. Algumas conclusões:
- A população japonesa tem menos interesse por C&T que os cidadãos americanos e que os cidadãos da maior parte dos países europeus (excepto no que concerne à poluição do ambiente). Curioso: Os japoneses andam sempre pelos 40-50% de interesse em vários itens (descobertas da medicina, inventos tecnológicos, etc...) a par de Portugal, que nalguns casos os ultrapassa em interesse.
- A população japonesa tem menos conhecimentos de C&T que os cidadãos americanos e que os cidadãos de alguns países europeus, mas a literacia cientifica japonesa aumentou nos últimos anos. As questões colocadas nesta parte do questionário foram as mesmas que surgiram nos inquéritos europeu e americano.
-A TV e os jornais são os principais meios de informação sobre C&T no Japão.
Esta série de posts veio a propósito da semana da ciência e tecnologia que decorreu de 22 a 28 de Novembro. 24 de Novembro era mesmo o dia nacional da cultura científica. As universidades e centros de investigação desdobraram-se em iniciativas mormente através do ciência viva (466 eventos previstos a nível nacional para 2004) , mas nos meios de comunicação quase ninguém deu por ela.
Uma vista de olhos pelos jornais de sexta-feira passada diz tudo: Público – Nada sobre a semana da C&T, DN- Nada; Expresso on-line Nada; JN- Nada; Correio da manhã –Nada; Primeiro de Janeiro- 1 notícia sobre uma actividade para crianças em Vila do Conde!
No final desta semana o que ficou a população portuguesa a saber sobre a ciência que se faz em Portugal? O que investigamos? Porquê? Como? Quem o faz?

Ainda a literacia científica. Os EUA começaram a preocupar-se com a literacia científica dos cidadãos há mais tempo que a Europa. Nos EUA, a NSF (National Science Foundation) faz estudos para caracterizar o grau de literacia científica dos cidadãos desde 1979. Em 2001, os cidadãos americanos fizeram um questionário com as mesmas perguntas que os europeus, questionário esse que referi no post anterior. Os resultados deste inquérito e uma comparação entre os cidadãos norte-americanos e os europeus está em:
http://www.nsf.gov/sbe/srs/seind04/c7/c7h.htm
O inquérito é parte de um documento mais vasto sobre indicadores de ciência e tecnologia nos EUA que também vale a pena ler, para quem estiver interessado. A webpage em que se apresentam os resultados do questionário está muito bem feita (uns furos acima da webpage que apresenta o inquérito europeu, pouco interactiva), tem uma bibliografia extensa e permite ver alguns dados em formato excel. Os resultados apresentados sob a forma de figuras estão excelentes e as conclusões revelam um trabalho de análise de resultados bem feito.
Os resultados norte-americanos permitiram concluir entre outras coisas que :
- Os Americanos apesar de expressarem um forte apoio à ciência e à tecnologia e terem interesse pelo assunto (90% disse ter interesse), não estão bem informados sobre estes assuntos.
- A maioria de adultos americanos recebe informação sobre C&T maioritariamente pela TV. Os meios de informação escritos surgem em segundo lugar, mas a grande distância da TV.
- A compreensão de assuntos tecnológicos por parte do público fica muito aquém do interesse que o mesmo público diz ter por esses assuntos.
- Os livros sobre ciência influenciam a cultura popular e o debate público de questões políticas.
- A capacidade para responder a questões científicas não sofreu alterações entre 1990 e 2001. Ou seja o conhecimento científico do cidadão americano não melhorou neste período.
Note-se uma série de coisas que os americanos e os europeus parecem ter em comum:
- Interessam-se por C&T, mas não estão bem informados sobre o assunto e os seus conhecimentos são muito menores que o interesse que dizem ter.
- A TV é o meio privilegiado para recebem a informação sobre C&T.
- Os conhecimentos de C&T da população não melhoraram nos últimos anos.
Estes resultados parecem querer dizer que os investimentos/esforços estatais em programas de divulgação de ciência e tecnologia, quer na Europa quer nos EUA, não têm sido eficazes. Ou, em alternativa, outra leitura que se pode fazer é a de que existe apenas uma pequena parte da população, que se mantém mais ou menos constante em número, que quer realmente saber C&T e tem capacidade para apreender e aplicar conceitos de C&T. Por outras palavras a literacia científica estaria apenas ao alcance de um conjunto restrito de cidadãos qualquer que fosse o esforço estatal para a combater. Qualquer destas conclusões é extremista e para já, que eu saiba, não há estudos concretos que façam luz sobre as razões de a literacia científica não melhorar após anos de investimento para a combater.
